Conteúdo técnico para cirurgiões-dentistas.
Esta página descreve protocolo clínico e usa terminologia profissional. Se você é paciente e procura entender o tratamento, veja lentes de contato dental.

Método clínico sistematizado por Dr. Marcelo Barboza Borille, CRO-RS 14520

O Protocolo Borille é um método de condução de casos com laminados cerâmicos organizado em três consultas, que integra recursos analógicos e digitais conforme a necessidade de cada etapa. Foi sistematizado a partir da prática clínica em odontologia estética e reabilitadora e é ensinado a cirurgiões-dentistas em formato presencial e on-line ao vivo, com cerca de 500 profissionais formados.

A premissa: repertório nos dois fluxos, para poder decidir

O protocolo parte de uma posição simples e pouco confortável: quem domina apenas um dos fluxos não escolhe, obedece.

Um clínico exclusivamente digital adapta o preparo ao que o scanner lê bem. Um clínico exclusivamente analógico deixa de usar ferramentas que trariam ganho real de planejamento e comunicação. Nos dois casos, quem decide o caso é a limitação do repertório, não a biologia do dente.

O objetivo do protocolo é o inverso: ter domínio suficiente de fotografia, enceramento diagnóstico, mock-up, moldagem, escaneamento intraoral, softwares de planejamento e comunicação com laboratório para que a escolha de cada etapa seja clínica.

O digital entra como extensão do raciocínio, não como atalho. Em algumas etapas o analógico é mais controlável; em outras o digital traz previsibilidade e comunicação visual que o analógico não alcança. O critério de escolha está detalhado em moldagem ou escaneamento.

Pilares técnicos

Diagnóstico aprofundado. Avaliação estética, funcional e estrutural: forma, cor, nível de desgaste, alinhamento, dimensão vertical, exposição gengival e harmonia facial.

Documentação fotográfica direcionada. Fotografias padronizadas para análise de proporção, linha do sorriso, linha média, corredor bucal e integração dente–lábio–face.

Forma e proporção sem template. Aplicação de conceitos de morfologia com ajuste individual de centrais, laterais e caninos, em vez de bibliotecas prontas aplicadas indistintamente.

Indicação criteriosa de desgaste. Quando, quanto e onde. O protocolo trabalha com preparo minimamente invasivo e desgaste seletivo, executado apenas onde a espessura de cerâmica, a correção de forma ou a oclusão exigem. O detalhamento está em preparo para lentes de porcelana.

Comunicação com o laboratório. Modelos, enceramento, mock-up validado, registro de cor e instruções explícitas de textura, translucidez, halo incisal, borda e brilho. A qualidade da cerâmica recebida é função direta da qualidade da informação enviada.

Integração com reabilitação. Quando o caso envolve implantes, coroas, aumento de coroa clínica ou cirurgia plástica periodontal, o laminado é planejado dentro do plano reabilitador, não como camada aplicada sobre um problema não resolvido.

Estrutura em três consultas

1ª consulta — diagnóstico, documentação e enceramento

  • anamnese e compreensão das queixas estéticas e funcionais;
  • avaliação clínica: estrutura remanescente, restaurações prévias, desgaste, oclusão, linha de lábio, exposição em repouso e ao sorrir;
  • registro fotográfico completo;
  • moldagem ou escaneamento para modelos de estudo, conforme o critério de captura do caso;
  • enceramento diagnóstico como base de análise de forma, proporção e volume.

Objetivo: desenhar a proposta de forma antes de qualquer intervenção, para que ela seja validada em boca.

2ª consulta — mock-up, preparo e provisórios

  • confecção da guia a partir do enceramento;
  • instalação do mock-up, com avaliação de forma, função e fonética pelo paciente;
  • ajustes de comprimento, contorno e proporção sobre o mock-up;
  • nova documentação fotográfica com a proposta ajustada;
  • preparos minimamente invasivos guiados pela forma validada — a ordem importa: a forma define o preparo, não o contrário;
  • captura definitiva após os preparos, com controle de tecido e de umidade;
  • provisórios reproduzindo a forma aprovada;
  • envio da documentação completa ao laboratório.

Objetivo: converter o enceramento aprovado em preparos reais e provisórios que já sejam o resultado final em ensaio.

3ª consulta — prova, seleção de cimento e cimentação

  • inspeção das peças recebidas: adaptação, espessura, margem, textura e brilho;
  • prova em boca, avaliando adaptação marginal, forma e proporção, integração com lábio e face, fonética e cor sob diferentes condições de luz;
  • alinhamento com o paciente sobre forma e cor, com microajustes quando pertinente;
  • seleção e conferência do cimento resinoso conforme substrato, espessura da cerâmica e cor pretendida;
  • cimentação adesiva com protocolo de condicionamento, silanização, isolamento e controle de excesso, detalhada em cimentação adesiva de lentes;
  • ajuste oclusal, polimento e documentação final.

Objetivo: consolidar o planejamento em resultado estável do ponto de vista estético, funcional e biológico.

Essência

  1. Estética com propósito. O resultado precisa ser esteticamente coerente com a face e funcionalmente estável. Um dos dois isolado não sustenta o caso.
  2. Repertório nos dois fluxos. Domínio de analógico e digital é o que dá liberdade de escolha etapa a etapa.
  3. Critério em cada passo. Diagnóstico sério, planejamento realista, preparo mínimo necessário, comunicação clara com o laboratório e cimentação controlada.

Formação no Protocolo Borille

O protocolo foi sistematizado para ensino e já foi conduzido para aproximadamente 500 cirurgiões-dentistas, em formato presencial e on-line ao vivo, sempre com foco em odontologia estética e reabilitadora e com discussão de casos.

O programa cobre:

  • diagnóstico e planejamento estético-funcional do caso;
  • fotografia clínica aplicada ao planejamento;
  • enceramento, guia e mock-up como eixo de decisão;
  • critérios de preparo minimamente invasivo;
  • decisão entre moldagem e escaneamento por cenário clínico;
  • comunicação com laboratório;
  • protocolo adesivo de cimentação e ajuste oclusal;
  • manejo de intercorrências, retratamento e expectativa do paciente.

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Protocolo Borille — conteúdo técnico
Protocolo Borille (você está aqui) · preparo para lentes de porcelana · cimentação adesiva de lentes · moldagem ou escaneamento
Sobre o autor: Dr. Marcelo Barboza Borille, CRO-RS 14520

Autoria: Dr. Marcelo Barboza Borille, CRO-RS 14520, cirurgião-dentista graduado pela UFRGS, com atuação em odontologia estética e reabilitadora, responsável técnico da Sorridere (CRO-RS EPAO 2231). Membro do ITI, da SBOE e da IFED. Última revisão: agosto de 2026.

Conteúdo técnico dirigido a cirurgiões-dentistas. Descreve um método de condução de casos e não substitui formação, julgamento clínico individual nem avaliação presencial do paciente.