A odontologia baseada em evidências combina três fontes: a literatura científica disponível, a experiência clínica do profissional e as condições e preferências do paciente. Nenhuma das três funciona sozinha. Evidência sem contexto clínico produz protocolo desencaixado; experiência sem literatura repete erros; e um plano tecnicamente correto que o paciente não consegue manter não se sustenta. A aplicação exige avaliação individual em cada caso.

Esta página reúne os fundamentos que orientam as decisões clínicas na Sorridere e a produção acadêmica desenvolvida pela equipe.

A base científica não é usada aqui como argumento comercial. Ela existe para sustentar a decisão clínica e para explicar por que, em determinadas situações, indicamos aguardar, tratar outra coisa antes ou escolher uma solução menos sofisticada do que a que o paciente esperava.

O conteúdo tem caráter educativo e não substitui avaliação clínica individual.

Como a evidência é aplicada na prática

O conhecimento científico dissociado da realidade clínica perde utilidade. A prática clínica sem embasamento consistente aumenta riscos e reduz previsibilidade. Na Sorridere, os dois caminham juntos, com foco em:

  • planejamento individualizado;
  • indicação criteriosa;
  • redução de risco;
  • longevidade dos resultados;
  • acompanhamento estruturado por meio da manutenção periódica.

Cada conduta é avaliada dentro de um contexto específico, e não como aplicação automática de um protocolo.

O que fazemos quando a evidência é inconclusiva

Boa parte das decisões odontológicas ocorre em territórios onde a literatura não dá uma resposta única. Materiais novos costumam ter poucos anos de acompanhamento; técnicas concorrentes muitas vezes apresentam resultados equivalentes; e há situações clínicas simplesmente pouco estudadas.

Quando isso acontece, a conduta é:

  • preferir a opção com mais tempo de acompanhamento documentado, principalmente em tratamentos difíceis de reverter;
  • escolher o caminho mais conservador entre os equivalentes, preservando estrutura para uma eventual segunda intervenção;
  • dizer ao paciente que existe incerteza, em vez de apresentar preferência pessoal como consenso científico.

Novidade com pouco acompanhamento não é descartada, mas também não é adotada por ser novidade.

A evidência por área de atuação

Cada especialidade tem sua própria literatura, seus próprios critérios de indicação e um profissional responsável na equipe da Sorridere.

Implantodontia e reabilitação oral

Área com o maior volume de acompanhamento de longo prazo da odontologia. A literatura é consistente sobre os fatores que determinam sobrevivência de implantes dentários: estabilidade primária, controle de infecção, ausência de sobrecarga e manutenção periódica. Também é clara sobre os fatores de risco, com destaque para tabagismo e doença periodontal não tratada.

Conduzida pelo Dr. Marcelo Barboza Borille, com especialização em Implantodontia pela ULBRA, e pela Dra. Luana, especialista em Implantes Dentários e em Prótese Dentária.

Prótese dentária

A escolha entre materiais e entre prótese fixa e removível apoia-se em literatura sobre resistência, comportamento sob carga e sobrevivência clínica. A decisão prática combina esses dados com biomecânica do caso e capacidade de higienização, que é um preditor frequentemente subestimado. Veja o hub de prótese dentária.

A área conta com a Dra. Marina Amarante Borille, com especialização em Prótese Dentária pela Faculdade de Odontologia de Bauru da USP.

Ortodontia

O planejamento ortodôntico se apoia em documentação padronizada, análise cefalométrica e evidência sobre movimentação dentária, ancoragem e estabilidade pós-tratamento. Um ponto em que a literatura é particularmente clara e frequentemente ignorado: a recidiva é esperada sem contenção, o que torna a fase de contenção parte do tratamento, e não um acessório. Veja aparelho ortodôntico.

Conduzida pelo Dr. Giovani Borille, especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial pela São Leopoldo Mandic e credenciado como Invisalign Doctor.

Endodontia

O tratamento de canal apoia-se em evidência sobre desinfecção do sistema de canais, limites de instrumentação e qualidade do selamento. A literatura mostra de forma consistente que a restauração definitiva após o canal influencia o prognóstico tanto quanto o tratamento endodôntico em si, razão pela qual as duas etapas são planejadas em conjunto.

Área conduzida pela Dra. Luana, com aperfeiçoamento em Endodontia.

Periodontia e prevenção

A relação entre biofilme, inflamação e perda óssea é um dos capítulos mais bem estabelecidos da odontologia. Isso fundamenta a ordem que seguimos: periodontia e controle de placa antes de reabilitação ou estética. Também fundamenta o protocolo de limpeza dental, com escolha do instrumental conforme a superfície tratada, tema com literatura própria quando há implantes e restaurações cerâmicas envolvidas.

Cirurgia oral

As indicações de extração de siso, de enxerto ósseo e de levantamento de seio maxilar seguem critérios documentados, assim como o manejo de pacientes em uso de anticoagulantes e de medicamentos que afetam o metabolismo ósseo. É uma área em que as diretrizes profissionais são especialmente relevantes.

Odontologia estética

Área com forte pressão de tendência, o que aumenta a importância do critério. A evidência sobre preservação de estrutura, adesão e comportamento de cerâmicas ao longo do tempo orienta as decisões de odontologia estética e de clareamento dental, incluindo o manejo da sensibilidade e os limites reais de mudança de cor.

Produção acadêmica da equipe

Parte da base científica aplicada na clínica inclui trabalhos desenvolvidos em nível de especialização, com foco direto na prática. Os materiais abaixo têm caráter educativo e estão disponíveis para consulta técnica.

Acurácia da cirurgia guiada em implantodontia

Trabalho sobre a precisão da cirurgia guiada, discutindo indicações, limites técnicos e integração com o planejamento protético.

Acessar o trabalho em PDF

Reabilitação estética conservadora na substituição de laminados cerâmicos

Relato de caso com ênfase em preservação de estrutura dentária e planejamento conservador, aplicado a facetas de porcelana e restaurações cerâmicas.

Acessar o trabalho em PDF

Laminados cerâmicos na reabilitação estética conservadora

Revisão de literatura sobre critérios de indicação, limites clínicos e integração com a reabilitação oral.

Acessar o trabalho em PDF

O perfil ORCID do Dr. Marcelo Barboza Borille está disponível em orcid.org/0009-0000-5422-207X.

Os limites da evidência científica

A evidência não substitui a avaliação clínica individual. Cada paciente apresenta variáveis biológicas, funcionais e comportamentais que exigem análise específica dentro do processo de decisão clínica.

Três limites merecem menção explícita:

  • Estudos descrevem populações, não pessoas. Uma taxa de sucesso de 95% é informação útil e não diz em qual grupo você está.
  • Tempo de acompanhamento é uma variável em si. Materiais e técnicas recentes podem ser excelentes, mas ainda não têm o histórico que permite afirmar como se comportam em quinze anos.
  • Nem tudo que importa foi estudado. Aderência à manutenção, destreza para higienizar uma prótese fixa e hábitos alimentares influenciam o resultado e raramente aparecem nos desfechos publicados.

Por isso: nenhum conteúdo desta página configura diagnóstico, nenhuma técnica é aplicada de forma padronizada e toda conduta depende de avaliação presencial.

Como isso chega ao seu tratamento

Na prática, a base científica aparece em decisões concretas: na ordem das etapas do seu plano, na escolha entre duas soluções que pareciam equivalentes, no material indicado para a sua mordida e nas situações em que recomendamos não intervir agora.

Para entender os critérios que orientam cada conduta, veja como decidimos o tratamento e quando não intervir. Para conhecer a formação de cada profissional, veja formação e atuação clínica.

Perguntas frequentes

O que é odontologia baseada em evidências?

É a prática que integra três elementos: a melhor evidência científica disponível, a experiência clínica do profissional e as condições, valores e preferências do paciente. O termo é às vezes usado como se significasse "seguir estudos", mas a definição original inclui os três componentes. Um tratamento respaldado pela literatura que ignora as condições do paciente não é prática baseada em evidências.

Por que dois dentistas indicam tratamentos diferentes para o mesmo caso?

Porque em muitas situações a literatura mostra opções com resultados equivalentes, e a escolha entre elas envolve julgamento clínico, experiência e as prioridades do paciente. Divergência não significa que um esteja errado. O que se pode e deve exigir é que a indicação venha acompanhada da explicação dos critérios, das alternativas e dos limites de cada caminho.

Vocês usam sempre a técnica mais nova?

Não como regra. Técnicas e materiais recentes são avaliados criticamente e adotados quando trazem benefício demonstrável ao caso. Em tratamentos difíceis de reverter, preferimos opções com mais tempo de acompanhamento documentado. Novidade é um dado a considerar, não um argumento por si só.

Os trabalhos publicados aqui são artigos científicos?

São trabalhos acadêmicos desenvolvidos em nível de especialização, com caráter educativo e técnico, disponibilizados para consulta. Eles não têm o mesmo estatuto de um artigo revisado por pares em periódico indexado, e são apresentados como o que são: produção acadêmica própria que fundamenta a prática da clínica.

Como sei se uma informação sobre odontologia é confiável?

Alguns sinais ajudam: a fonte identifica o autor e sua formação, distingue o que é consenso do que é opinião, menciona limitações e contraindicações, e não promete resultados garantidos. Conteúdo que apresenta uma técnica como solução para todos os casos, sem citar limites, merece desconfiança independentemente de quem o publica.

Evidência científica garante que meu tratamento vai dar certo?

Não. Ela aumenta a probabilidade de acerto ao orientar a indicação e reduzir riscos previsíveis, mas não elimina a variabilidade biológica individual nem substitui os fatores que dependem de você, como higiene e acompanhamento. Qualquer profissional que ofereça garantia de resultado está indo além do que a ciência permite afirmar.

Onde vocês buscam atualização?

A atualização vem de literatura científica, de programas de sociedades e entidades das quais os profissionais participam, e de formação continuada em cada área. Os vínculos institucionais e as formações de cada dentista estão detalhados na página de formação e atuação clínica.

As informações desta página têm caráter educativo e institucional. Elas não substituem consulta presencial, diagnóstico individualizado ou planejamento clínico específico. Toda conduta profissional é definida após avaliação clínica detalhada.

Página mantida sob responsabilidade técnica do Dr. Marcelo Barboza Borille, CRO-RS 14520 (Sorridere, CRO-RS EPAO 2231). Última revisão: agosto de 2026.