Quando remodelar a gengiva resolve o sorriso gengival — e quando não resolve
A plástica gengival remodela o contorno da gengiva, corrigindo excesso ou assimetria e ajustando a proporção aparente dos dentes. Resolve os casos em que o sorriso gengival vem de gengiva cobrindo a coroa. Quando a causa é o osso, o lábio ou a posição dos dentes, remodelar gengiva não corrige — e o plano é outro. A avaliação define qual é o seu caso.
Antes de tudo: de onde vem o seu sorriso gengival?
Esta é a pergunta que determina se o procedimento vai resolver o seu caso, e ela é frequentemente pulada.
Excesso de gengiva sobre a coroa
A coroa do dente está parcialmente coberta pela gengiva — o dente parece curto, mas tem tamanho normal. É a situação em que a gengivoplastia resolve: remove-se o excesso e a coroa aparece na proporção correta.
Excesso vertical de maxila
O osso da maxila é longo, e ao sorrir toda a região gengival é exposta, mesmo com gengiva de espessura normal. Remodelar gengiva não corrige — o tecido volta ao contorno determinado pelo osso. O caminho, quando o caso justifica, é cirurgia ortognática.
Lábio superior curto ou hipermóvel
O lábio sobe além do habitual ao sorrir, expondo a gengiva. A gengiva e os dentes estão normais. Gengivoplastia não muda nada — o caminho passa por harmonização facial, com toxina botulínica para reduzir a mobilidade do lábio, ou por cirurgia labial em casos selecionados.
Extrusão dentoalveolar
O dente e o osso ao redor "desceram" ao longo do tempo, frequentemente por desgaste das bordas com compensação. O caminho é ortodôntico — intrusão dos dentes anteriores, com aparelho ortodôntico.
Frequentemente há mais de uma causa. Um sorriso gengival pode combinar excesso de gengiva com lábio hipermóvel, e resolver só metade produz meia melhora.
A avaliação existe para identificar isso antes, e a resposta pode ser que a gengivoplastia sozinha não resolveria o seu caso.
O que quase nunca se explica: o espaço biológico
O organismo mantém uma distância mínima entre a margem da gengiva e a crista do osso. Essa distância não é negociável — se ela for invadida, o corpo a recupera.
Na prática, isso significa que remover gengiva sem avaliar o osso pode terminar de três formas:
- a gengiva volta a crescer, e o resultado se perde em meses;
- o tecido permanece cronicamente inflamado, vermelho e sangrante na região operada;
- o organismo reabsorve osso para recuperar a distância, causando recessão — e o resultado fica pior do que o ponto de partida.
Por isso, em boa parte dos casos, o procedimento correto não é só gengivoplastia: é aumento de coroa clínica, que remodela gengiva e osso, mantendo a distância biológica.
A radiografia e a sondagem definem qual dos dois o seu caso pede. É uma diferença que muda a cirurgia, a recuperação e o prazo — e que precisa ser dita antes.
Quando é indicada
- sorriso gengival por excesso de gengiva sobre a coroa;
- contorno irregular ou assimétrico, com dentes de altura visualmente diferente;
- dentes com aparência curta por cobertura gengival;
- preparo estético antes de lentes de contato dental ou de faceta de porcelana — é o contorno gengival que define a proporção aparente de cada dente, e por isso ele costuma ser definido antes de o laboratório confeccionar as peças;
- complemento de reabilitação estética, harmonizando o contorno com o desenho protético dentro do plano de odontologia estética.
Quando não é indicada, ou precisa esperar
- inflamação ativa — gengivite ou periodontite não controlada. Opera-se sobre tecido saudável; sobre tecido inflamado o resultado é imprevisível e a cicatrização, comprometida. O tratamento vem antes, na periodontia;
- causa não gengival do sorriso gengival — conforme a seção acima;
- higiene não estabilizada;
- espaço biológico que exige abordagem óssea, e o paciente quer apenas o procedimento gengival;
- tabagismo intenso, que compromete a cicatrização e a previsibilidade;
- expectativa que a anatomia não comporta.
Dizer isso na avaliação é parte do trabalho, mesmo quando o paciente chega decidido. É o mesmo critério de quando não intervir.
Como é feito
- Avaliação clínica e radiográfica, incluindo sondagem para determinar a distância até a crista óssea e identificar a causa do sorriso gengival.
- Planejamento do novo contorno, definido pela proporção dental pretendida — e, quando há lentes ou facetas no plano, em conjunto com o desenho delas.
- Anestesia local.
- Remodelação, com instrumentos específicos ou laser. Quando indicado, com remodelação óssea para preservar a distância biológica.
- Acompanhamento da cicatrização.
Sobre o laser: ele oferece bom controle e menor sangramento em procedimentos de tecido mole. Não substitui a etapa óssea quando ela é necessária — e essa é a distinção que importa mais do que o instrumento.
Recuperação
- desconforto nos primeiros dias, manejado com a medicação prescrita;
- alimentação leve e fria ou morna no início;
- higiene cuidadosa na região, conforme orientação — incluindo antisséptico quando prescrito;
- aspecto inicial: a gengiva fica esbranquiçada ou avermelhada nos primeiros dias, e isso é esperado;
- contorno definitivo: a cicatrização superficial ocorre em cerca de duas a três semanas, mas a maturação do tecido continua por mais tempo. Quando há etapa óssea, o prazo é maior.
Este último ponto é importante quando há lentes no plano: o contorno precisa estar estabilizado antes de definir a margem das peças. Confeccionar cerâmica sobre gengiva ainda em maturação é colocar a margem num lugar que vai mudar.
Agende sua avaliação em Porto Alegre
A avaliação identifica a causa do seu sorriso gengival, verifica se há necessidade de abordagem óssea e apresenta o resultado realista — que pode incluir a informação de que a gengivoplastia sozinha não resolveria o seu caso. A Sorridere atende na Rua 24 de Outubro, 1440, bairro Auxiliadora, de segunda a sexta, das 9h às 19h.
Perguntas frequentes
A plástica gengival dói?
O procedimento é feito com anestesia local. No pós-operatório é esperado desconforto nos primeiros dias, manejado com a medicação prescrita — mais expressivo quando há remodelação óssea associada. Dor que aumenta a partir do terceiro dia não é esperada e deve ser comunicada.
A gengiva volta a crescer?
Quando o procedimento respeita a distância biológica até o osso, o contorno se mantém. Quando essa distância é invadida — removendo gengiva sem avaliar o osso —, o tecido pode voltar a crescer, permanecer inflamado ou o organismo pode reabsorver osso para recuperar a distância. É por isso que a avaliação com sondagem vem antes.
Vai resolver meu sorriso gengival?
Depende da causa. Se a gengiva cobre parte da coroa, sim. Se o sorriso gengival vem de excesso vertical de maxila, de lábio curto ou hipermóvel, ou de extrusão dos dentes, remodelar gengiva não corrige — e o caminho é outro. A avaliação identifica qual é o seu caso, e frequentemente há mais de uma causa combinada.
Pode ser feita junto com lentes de contato dental?
Fazem parte do mesmo plano, mas não da mesma sessão. O contorno gengival precisa estar estabilizado antes de definir a margem das peças — confeccionar cerâmica sobre gengiva em maturação coloca a margem num lugar que ainda vai mudar. A sequência e os prazos são definidos no planejamento.
Quanto tempo demora para cicatrizar?
A cicatrização superficial ocorre em cerca de duas a três semanas, com melhora visível bem antes. A maturação completa do tecido continua depois disso, e quando há etapa óssea o prazo é maior. O contorno é avaliado como definitivo só ao fim desse período.
Qual a diferença entre gengivectomia e gengivoplastia?
A gengivectomia remove tecido gengival, tipicamente em contexto de doença — bolsa periodontal, aumento de volume. A gengivoplastia remodela o contorno com finalidade estética. Na prática clínica os dois recursos frequentemente se combinam no mesmo procedimento.
E o aumento de coroa clínica, é a mesma coisa?
Não. O aumento de coroa clínica remodela gengiva e osso, para expor mais estrutura dental respeitando a distância biológica. É indicado quando a sondagem mostra que remover apenas gengiva invadiria essa distância — o que é comum. É uma cirurgia maior, com recuperação mais longa.
As informações desta página têm caráter educativo e não substituem consulta presencial, diagnóstico individualizado ou planejamento cirúrgico específico. A indicação depende da causa do excesso gengival e da avaliação da distância entre a margem gengival e a crista óssea. Resultados variam conforme cada caso.
Conteúdo revisado por Dr. Marcelo Barboza Borille, CRO-RS 14520, responsável técnico da Sorridere (CRO-RS EPAO 2231). Última revisão: agosto de 2026.